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Sobre nudes e autocompaixão

November 10, 2015

Chegou em meus ouvidos que uma famosa blogueira fitness orientou que seus seguidores enviassem “nudes” (fotos nuas) aos amigos quando comessem algo que considerassem “errado” ou “proibido”, para evitar que isso acontecesse numa próxima vez. Tenho grandes ressalvas em relação a isso:

1. Não acredito que os amigos de ninguém gostariam de receber por whatsapp uma foto do indivíduo pelado/a;

2. Como uma pessoa que estuda mudança de comportamento alimentar, eu percebo que mudanças duradouras não surgem por meio da coerção, da culpa e da humilhação, e sim por meio do respeito por si próprio e da autocompaixão.
 

Tendo isso em vista, segue abaixo email que uma paciente mandou a uma pessoa de sua família, pedindo que esta parasse de julgá-la e estigmatizá-la por ser gorda (esse email é verídico e fui autorizada pela paciente a postá-lo):

 

Você disse que precisava falar.

 

Pois bem, eu também preciso.

 

Compreenda que não é a primeira vez que você me diz que estou gorda e preciso emagrecer. Você me diz isso todas as vezes que nos encontramos.

 

Compreenda que não preciso disso. Tenho espelho, revistas, informações, médicos e tabelas de IMC que me dizem o mesmo a todo momento. Eu não recuso sua contribuição,  ela só é redundante.

 

E compreenda também, que dizer isso não vai me deixar mais magra. Vai me deixar mais triste. Vai me fazer pensar mil vezes no que vestir para iludir minimamente você (e toda essa família que sempre olhou meus quadris antes de olhar meu olhos e perguntar como estou). No caso do resto da família, com quem minha relação é menos profunda do que com você, me faz, inclusive, evitar ao máximo esses encontros.

 

Hoje estou frequentando uma nutricionista, e meu objetivo com isso é melhorar a minha relação com a comida e com o meu corpo. Não com a balança.

 

Talvez não precisasse fazer isso se não tivesse crescido achando meu corpo errado, ruim e imperfeito. Mesmo quando, olhando retrospectivamente, não era.

 

Talvez não precisasse se tivesse aprendido a saborear uma mousse de chocolate de vez em quando, ao invés de devorá-la com culpa, raiva e uma certa sensação de vingança.

 

Talvez não precisasse disso se trinta anos fazendo dietas que obviamente não funcionam a longo prazo não as tivesse deixado cada vez mais difíceis de seguir.

 

Talvez não precisasse disso se o núcleo familiar em que cresci não estivesse sempre tão preocupado com aparências, em todos os sentidos, e muito mais com isso do que com saúde.

 

Não sei se seria mais magra ou mais gorda, mas certamente me seria mais fácil ir à praia, coisa que eu amo tanto e quase não faço, por me sentir completamente inadequada.

 

Você falou como profissional. Então, à profissional. Empatia funciona melhor que julgamento. Sei que você tem e exerce.

 

Boa semana a todos!

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